Descobertas de Fevereiro — Maio + playlist


No fim de fevereiro, ouvi your best american girl pela primeira vez e logo de cara, me viciei. Não sendo muito difícil depois, procurar outras músicas do mesmo artista pra checar se não seria aquela a única música que realmente gostei. Continue Lendo “Descobertas de Fevereiro — Maio + playlist”

Os que amaram

Conheci você na subtração dos anos.

No auge da época vulgar,

em que feitiços de amor e afeto

são quebrados imperativamente

em algum lado.

O pior não é a permanência se tornar uma palavra absolutamente 
desmistificada;

Nem os sentimentos, aqueles que sempre sobram, os resistentes,

defendendo as lembranças muito mais que a si mesmos,

debaterem entre si até a vaidade os converterem a um possível estado de 
quase ódio

onde mágoas e ressentimentos são inquestionáveis;

E o pior, nem mesmo é virar uma pessoa amarga.

O pior, é o contínuo choque do saber irreversível

de que por mais que se passem muitos anos, o passado com as pessoas 
nunca se tornará uma prova convincente

                                                [e condizente]

diante da desastrosa condição de nossos desejos desbotados e corroídos

por épocas vulgares em que aqueles que um dia amaram

tornam-se vítimas irreversíveis de um destino ostensivamente esquecido.

O jogo dos dois impostores

— De ti não quero nada além de ausências. Do seu retorno, o meu requerimento, quero o preenchimento da única coisa presente: o desgaste intenso que me deste.

— O resgate é vago, mais vazio que aquilo que te abate. O tempo, o crime perfeito, te mostrará exatamente aquilo que você concedeu.

— Em outros tempos, seria você mesmo a exprimi-lo.

— O fim nunca precisará ser anunciado.

— Não falo do fim, falo do tempo.

— Você não diz claramente...

— Todo tempo em que se calou, em que foi o ausente, ele não diz nada sobre mim ou sobre nós, só sobre ti.

— Sobre nós sempre pareceu bem nítido.

— Você nunca vai enxergar como realmente éramos. Seu maior defeito sempre foi obscurecer tudo aquilo que você gostaria de dizer a mim, o que dirá dos teus sentimentos?!

— E o seu, querer insistir em me manter por perto, reconhecendo o meu defeito repentinamente. Quanto aos meus sentimentos, nunca coube a você conhecê-los, da mesma forma que nunca caberá a mim saber como realmente éramos.

— Nunca coube a nós nos desconhecermos.

— Nem nos preenchermos.

— Muito menos o desgaste!

— E voltar atrás seria ridículo!

— Dizer o fim antes teria nos livrado desse diálogo tão falho.

Sobre a escrita

A minha, no caso.

Um dos momentos mais marcantes na escola, foi quando uma professora de Português pediu para que escrevêssemos um poema com tema livre e que deveria ser feito naquela aula apenas. Não sei como consegui fazer aquilo (escrever) em menos de uma aula, mas fiz. A professora pediu aos que terminaram, que lessem o que haviam escrito. Eu já tinha terminado, porém como a pessoa introvertida que sou, permaneci quieta, ouvindo os outros. A professora passou do meu lado e perguntou se eu tinha terminado, eu disse que sim e ela foi conferir, e aparentemente ela gostou bastante do que escrevi e perguntou se ela podia ler para a sala. […] Continue Lendo “Sobre a escrita”